O guia definitivo da escovação

Quase todo mundo escova os dentes. Bem menos gente escova do jeito que remove placa sem machucar. A diferença está em detalhes simples.

O passo a passo

A técnica que realmente funciona

1. O ângulo. Esse é o detalhe que mais muda o resultado. Incline a escova a cerca de 45 graus em direção à gengiva, não perpendicular ao dente. A placa mais perigosa fica exatamente na linha onde dente e gengiva se encontram, e escova reta passa por cima dela.

2. O movimento. Vibrações curtas, no lugar, com a escova cobrindo dois ou três dentes por vez. Nada de esfregar de um lado para o outro na horizontal com força: esse movimento cava um sulco na região do colo do dente.

3. A força. Leve. Se as cerdas dobram, você está apertando demais. Um teste simples: segure a escova com a ponta dos dedos em vez de fechar a mão. Fica quase impossível exagerar.

4. A ordem. Faça sempre o mesmo percurso, para não esquecer regiões. Uma sequência que funciona: parte de fora de cima, parte de dentro de cima, parte de fora de baixo, parte de dentro de baixo, e por último as superfícies de mastigação.

5. O tempo. Dois minutos. Trinta segundos por quadrante.

6. A língua. Termine escovando a língua de trás para a frente, sem apertar.

Erros comuns

Onde a maioria escorrega

Escovar com muita força. O erro campeão. Causa retração de gengiva e desgaste no colo do dente, os dois principais motivos de sensibilidade. E o pior: dá a sensação de estar limpando melhor.

Pular a parte de dentro. A face voltada para a língua é a mais esquecida, sobretudo nos dentes de baixo da frente, onde o tártaro se forma primeiro por causa das glândulas salivares que ficam ali embaixo.

Esquecer o fundo. Os últimos molares são difíceis de alcançar e concentram muita cárie. Abra menos a boca ao escovar essa região: com a boca semiaberta, a bochecha relaxa e a escova entra melhor.

Escovar logo depois de algo ácido. Espere cerca de trinta minutos depois de refrigerante, suco cítrico ou vinho. Escovar com o esmalte amolecido acelera o desgaste.

Achar que escovação basta. Ela não alcança entre os dentes. Sem fio dental, 40% da superfície fica sem limpeza.

Materiais

Escolhendo escova e creme dental

A escova. Cerdas macias, cabeça pequena. Cabeça pequena alcança melhor o fundo e as faces de dentro. Cabo é questão de conforto, não de eficiência.

O creme dental. O que realmente importa é conter flúor, entre 1.000 e 1.500 ppm, informação que vem na embalagem. É o flúor que remineraliza o esmalte e previne cárie. Fórmulas com carvão ou de "clareamento intenso" costumam ser mais abrasivas e podem desgastar mais do que ajudam.

A quantidade. Um grão de ervilha para adultos. Menos do que a propaganda mostra. Para crianças pequenas, um grão de arroz.

Se você tem sensibilidade, um creme específico usado de forma contínua costuma ajudar bastante, como explicamos em dente sensível.

Limite

O que a escovação não resolve

Escovação perfeita previne, mas não desfaz o que já se formou. Tártaro endurecido não sai com escova nenhuma, e enquanto ele estiver ali mantém a gengiva inflamada.

É por isso que a rotina em casa e a limpeza profissional funcionam juntas: uma impede a placa de virar tártaro, a outra remove o que passou. Sem uma das duas, o ciclo não fecha.

Perguntas frequentes

Dúvidas comuns

Quanto tempo devo escovar?
Dois minutos, e é mais tempo do que parece. A média das pessoas escova entre 45 segundos e um minuto. Cronometrar as primeiras vezes costuma ser revelador. Dividir a boca em quatro partes e dar trinta segundos a cada uma ajuda a distribuir bem.
Escova macia ou média?
Macia, para praticamente todo mundo. A placa é mole e não exige cerda dura. Cerdas mais rígidas não limpam mais, apenas desgastam esmalte e machucam gengiva. Quem tem gengiva sensível ou retração pode usar extramacia.
Escova elétrica vale a pena?
Para muita gente, sim. Ela ajuda principalmente quem tem dificuldade de manter a técnica ou de controlar a força, porque vários modelos avisam quando você aperta demais. Dito isso, escova comum com técnica correta limpa muito bem. A técnica pesa mais que o equipamento.
De quanto em quanto tempo trocar a escova?
A cada três meses, ou antes disso se as cerdas abrirem. Cerda torta não alcança a linha da gengiva e passa a limpar mal. Troque também depois de gripe ou infecção de garganta.
Preciso escovar a língua?
Sim. A língua acumula uma camada de bactérias que é a principal causa de mau hálito. Escove suavemente ou use um limpador de língua, sempre de trás para a frente.
Quantas vezes por dia?
No mínimo duas, sendo uma delas obrigatoriamente antes de dormir. Durante o sono a produção de saliva cai muito, e a saliva é a defesa natural da boca. Dormir com placa é o pior cenário do dia.
Devo enxaguar a boca depois de escovar?
De preferência, não. Cuspir o excesso e não enxaguar deixa o flúor do creme agindo mais tempo sobre o esmalte. Se o gosto incomodar, use pouquíssima água.
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